20 Anos de Convivência e Resistência no Semiárido Mineiro

Conviver com o Semiárido é a estratégia principal que vem guiando a Articulação no Semiárido Mineiro – ASA Minas, há 20 anos, no Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha.


Conviver com o Semiárido é a estratégia principal que vem guiando a Articulação no Semiárido Mineiro – ASA Minas, há 20 anos, no Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha.


Publicado há 3 meses

A partir de ações efetivas na construção de tecnologias sociais, promoção de espaços de formação e mobilização das comunidades do campo, a ASA reflete hoje a história de mais de 100 mil famílias, que a partir da organização da sociedade civil, teve a realidade transformada.

“Nós não trazemos nada para ninguém, isso é conquista. É uma conquista de cada um e cada uma que se envolveu nas mobilizações, nas formações, nas reuniões da ASA, nas reuniões dos Fóruns, nos intercâmbios. Isso é conquista, isso é direito e direito a gente não negocia”, disse Valquíria Lima, da coordenação estadual e nacional da Articulação no Semiárido, ao relembrar a participação dos povos e comunidades do campo na trajetória da ASA na construção de cerca de 80 mil cisternas em Minas Gerais.

Essa foi uma das falas que marcaram o Encontro Estadual da ASA Minas, realizado entre os dias 21 e 23 de agosto, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. O evento celebra os 20 anos de construção de estratégias de convivência com o Semiárido e pauta importantes debates no campo da soberania e segurança alimentar, acesso à água, educação no campo, acesso ao mercado, garantia da agrobiodiversidade e respeito às comunidades tradicionais.

Para Élzio Alves Pereira, agricultor da comunidade Caatinga, em Varzelândia, fazer parte dos 20 anos da ASA é gratificante. Ele afirma que o trabalho da Articulação é um exemplo: “A ASA tem feito muita coisa para servir de inspiração para os governos. Se construíssem uma caixa [cisterna de captação de água de chuva] em cada casa de brasileiro, era muita água armazenada”.

 

Além das organizações que fazem parte da rede e parceiros, ao todo o Encontro reuniu mais de 100 agricultores e agricultoras do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha. O sentimento de pertencimento também foi algo que transpareceu na fala dos participantes. “Eu sou fruto desse espaço da ASA. Hoje, estou em diversos espaços mas tenho muita gratidão porque a ASA me torna uma pessoa melhor, uma militante melhor, uma sindicalista melhor”, conta Marilene Faustino, coordenadora da FETAEMG, de Capitão Enéas.

Nesses 20 anos de trajetória, muitas mãos vêm construindo a Articulação no Semiárido Mineiro. É através da união de organizações, movimentos e participação popular que têm se desconstruído a narrativa de combate à seca, que por muitos anos levou milhares de famílias a deixarem suas terras por acreditarem que não era possível conviver com o clima e que o Semiárido é local inabitável. Hoje a realidade é outra e o grande responsável pela consolidação do Semiárido Vivo é o próprio povo. “A ASA nunca inventou nada. Ela sempre olhou o que os agricultores fazem e sistematizou. A ASA olhou para uma região que chovia 3 meses por ano e os agricultores guardavam água. Eles já faziam isso”, afirma Rafael Neves, coordenador do Programa 1 Milhão de Cisternas e do Cisternas nas Escolas da ASA Brasil.

 

 

 

É no semiárido que o povo resiste

 

A deputada estadual Leninha Alves (PT-MG), que esteve presente no encontro, destacou a importância do projeto desenvolvido pela Articulação no Semiárido. “A convivência com o semiárido já mostrou na prática, nesses 20 anos, que alterou completamente a infraestrutura produtiva e a condição de vida de homens e mulheres do semiárido”, afirmou.

Leninha, que por 17 anos foi coordenadora da ASA, falou do momento político que o país está vivendo, criticando o governo federal pela interrupção do diálogo com as organizações da sociedade civil na construção de políticas de convivência com o semiárido. “Este governo não gosta de pobre, não gosta de quilombola, não gosta de gente. Ele está aí para responder o capital internacional”, denunciou.

A deputada ainda animou os participantes a resistirem para transformar a conjuntura política, chamando atenção para a missão de cada um nas eleições municipais de 2020. “Este projeto tem que ser derrotado nos municípios”, ressaltou. Para Leninha, dependendo de como forem estes resultados eleitorais, será possível, em 2022, que o Brasil retorne para o caminho dos mais empobrecidos com políticas que reduzam as desigualdades sociais.   

É no semiárido que a vida pulsa

 

Veja o vídeo com alguns momentos do encontro AQUI.


Postado por: Comunicação ASA Minas
Editado por: Comunicação ASA Minas

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