A juventude quer viver


Publicado há 8 anos, 8 meses

Caminhada Contra a Violência e o Extermínio de Jovens agita o centro de Montes Claros e reúne cerca de 2 mil pessoas
Lívia Bacelete
Comunicadora popular ASA / Cáritas Regional Minas Gerais

“Oh Minas Gerais, oh Minas Gerais, a juventude aqui morre demais, oh Minas Gerais”. A canção foi entoada pelo coro de 2 mil pessoas que caminharam no dia 23 pelas ruas de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Eram os participantes do 6º Encontro Mineiro das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), junto aos integrantes das Pastorais da Juventude (PJ), em marcha pelas principais ruas do centro da cidade em defesa da vida dos jovens.

A marcha é uma ação da Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens. Lançada em maio de 2008, durante a 15ª Assembléia Nacional das Pastorais da Juventude do Brasil, a Campanha busca levar à sociedade o debate sobre as várias formas de violência contra a juventude.

Mauro Rodrigues, da PJ de Belo Horizonte, explica que a Campanha quer evidenciar o grande número de mortes violentas entre os jovens. “Hoje é divulgado que quem promove violência é a juventude, mas ela também é a maior vítima da violência”, afirma Mauro. Ele explica que é importante envolver toda sociedade na Campanha e trazer uma cultura de paz.

A Caminhada Contra a Violência e o Extermínio de Jovens teve início às 17 horas, com concentração em frente ao SESC de Montes Claros. Os participantes caminharam em direção à Praça da Matriz, onde foi encenado o velório da juventude. Um caixão, que simbolizava a morte dos jovens, prosseguiu com a marcha durante todo o percurso.

A segunda parada aconteceu em frente ao Shopping Popular. O grupo “Filhos de Maria”, de Montes Claros, encenou uma coreografia ao som da música “Pelos caminhos da América”, fazendo referência a violência sofrida pela juventude latino americana. Na Praça Coronel Ribeiro, foi feita a terceira parada da marcha. Neste momento, refletiu-se sobre o extermínio da juventude negra. “A morte de jovens no país é diferenciada pela cor”, gritou Juliano Gonçalves, do Fórum Nacional da Juventude. Ele explica que 85% dos jovens que morrem hoje no Brasil são negros.

A quarta e última parada da marcha foi realizada na Praça da Catedral, onde os participantes acenderam velas e em vigília homenagearam Padre Gisley, um dos idealizadores da Campanha, que foi morto em 2009, vítima da violência.

Chega de violência
“Estamos aqui por acreditar que a juventude pode ter um futuro diferente, com mais dignidade e mais respeito”, explica Elis Medrado, da Pastoral da Juventude de Montes Claros. Somente em Montes Claros, entre os anos de 2005 e 2008, foram registrados 289 homicídios de jovens entre 15 e 29 anos.

Para Jociely Soares, do Centro Marista de Juventude, são muitas as mortes sofridas pela juventude diariamente. “Quando falo de morte, não me refiro apenas à morte física e sim à ausência de políticas públicas específicas voltadas para este grupo. A falta de emprego, de educação e de lazer são as maiores justificativas para as mortes físicas”, explica Jociely.
Levantamentos do capitão da Polícia Militar, Ederson da Cruz Pereira, sociólogo e mestre em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) mostram que, das mortes nos últimos quatro anos, 79 não foram esclarecidas (27,3%) e 68 tiveram motivos fúteis (23,53%), somando 147 casos (50,8%). O tráfico respondeu por 53 ocorrências (18,3%).

De acordo com a pesquisa, no período, houve também 45 mortes por vingança (15,57%); 20 por problemas econômicos (6,92%); 18 por motivos passionais (6,23%); e seis em confronto com a Polícia (2,08%). A pesquisa teve como fonte o 10º Batalhão da Polícia Militar e a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Pessoa de Montes Claros.

A Caminhada Contra a Violência e o Extermínio da Juventude é uma realização do Setor Juventude Arquidiocesano, das Comunidades Eclesiais de Base e das Pastorais da Juventude. Outras informações sobre a Campanha Nacional no site http://www.juventudeemmarcha.org/ .

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