Agroecologia Para Convivência com o Semiárido


Publicado há 8 anos, 1 mês

Foto Raniere Santa - Animador Cáritas Diocesana de Araçuaí/P1+2


Por Myrlene Pereira Comunicadora da Cáritas Diocesana de Araçuaí / ASA-Minas

Intercâmbio sobre Tecnologias Agroecológicas de Convivência com o Semiárido Vira Poesia

A convivência com o semiárido tem se tornado mais fácil no Vale do Jequitinhonha a partir da utilização de práticas agroecológicas difundidas pelos projetos e programas de incentivo aos pequenos agricultores na região.

O Intercâmbio Intermunicipal realizado pela ASA na cidade de Araçuaí levou representantes de Itinga, Ponto dos Volantes e Araçuaí, municípios do Vale do Jequitinhonha atendidos pelo P1+2, por uma viagem no mundo da permacultura.

O grupo visitou o Sítio Maravilha, que funciona como um centro de pesquisa de práticas agroecológicas de permacultura, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento - o CPCD. Ele é divido em zonas que visam à integração de diversas práticas como a captação de água da chuva, os banheiros secos, o plantio em canteiros mandala e o consorciamento de espécies de plantas.

Celso Silva, permacultor e cuidador do sítio diz que percebe as mudanças na quantidade de passarinho, de água, de verde e até na propriedade do vizinho, que antes era uma praia de areia e hoje já está virando mata.


A segunda parte da visita teve como objetivo mostrar como as comunidades tem lida

do com a implantação da permacultura. A visita se deu na propriedade de Inês Guedes, com ap

resentação do grupo Mães Cuidadoras das Águas, da comunidade Vargem João Alves.

O grupo de mães foi organizado inicialmente para auxiliar os filhos na escola, apenas com o nome Mães Cuidadoras, mas as preocupações foram além das tarefas da escola quando elas compreenderam que poderiam usar elementos do dia-a-dia, como fazer biscoitos, para ensiná-los.

Hoje o grupo se une em mutirões para construir quintais agroecológicos nas casas vizinhas, debater relações de gênero e organizar as já tradicionais rodas de viola para festejos da comunidade.

Durante a visita elas ensinaram aos visitantes como se faz um canteiro mandala, que tem formato de círculo é cercado por telhas ou garrafas para que a água não se deperdice e uma abertura que vai até seu centro para que, ao molhá-lo a pessoa não necessite gastar energia, pois só é necessário girar o corpo. Ensinaram também como fazer um biofertilizante e um repelente que usam no manejo do solo.

Mas, assim como deve ser em um intercâmbio, elas também receberam aprendizados. Valteir Antunes, guardião das sementes do amor do Banco de Sementes da Gente veio de Itinga e participou da visita, dando informações sobre como é o processo de construção de um banco de sementes, que é o próximo objetivo das mães cuidadoras.

Os visitantes e visitados se reuniram no dia seguinte para discutirem na teoria o que já haviam visto na prática, e mais uma vez constatar que a agroecologia é mais fácil do que se pensa. Numa mistura das diversas práticas construíram a poesia a seguir.

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