CPT realiza Congresso Nacional no Semiárido Mineiro


Publicado há 10 anos


Com o lema “No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da vida!” o Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) chegou em Montes Claros, localizado na Bacia do São Francisco, no Semiárido mineiro, para reunir trabalhadores e trabalhadoras rurais além de agentes da pastoral, que trocaram as experiências, conquistas e desafios do campo. O evento ocorreu entre os dias de 17 e 21 de maio.


Alvimar dos Santos, integrante da CPT do Norte de Minas falou sobre a importância do Congresso. “Para nós a importância de receber o congresso nacional da comissão pastoral da terra, tendo enfim a participação dos agricultores dessas comunidades, é na construção de um novo jeito de lidar com a natureza, de lidar com a terra e de lidar com o cerrado”.


Ele ainda lembrou a importância de chamar a atenção das autoridades e da sociedade como um todo da devastação que vem sendo feita na caatinga. “É importante mostrar esse projeto de uma vida nova para uma futura geração, de um projeto sustentável para a região e para o Brasil”, completou.


Um dos momentos mais emocionantes do III Congresso foi a Celebração dos Mártires que aconteceu na noite do dia 19. Mais de mil pessoas, entre camponeses, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agentes pastorais e religiosos de todas as partes do País percorreram cerca de dois quilômetros com tochas e velas iluminando a noite da cidade.


Segurando um cartaz “Sei que vivo no coração dos que lutam pela liberdade”, a trabalhadora rural Maria Senhora, de 69 anos, do assentamento Nova Conquista no Espírito Santo, se emocionou ao relembrar a história do assassinato do líder sindicalista rural Verino Sossai, que foi morto em 1989 na luta contra o latifúndio no estado. A agricultora, que lutou junto com Verino pela conquista do assentamento onde vive há 23 anos, afirma não desanimar com tanta violência no campo.“Lutamos muito para conquistar nossa terra. Enquanto eu estiver viva, vou lutar no meio do povo”, ressaltou.


Assim como Verino, foram relembrados e homenageados, ao longo da caminhada, os inúmeros mártires, entre Irmã Dorothy, Chico Mendes, Zumbi dos Palmares, Frei Tito, Zé de Antero, além de tantos outros, lutadores e lutadoras do povo, de cada parte do Brasil.


Ao final do congresso, os cerca de 900 participantes aprovaram a proposta de Carta Final do Congresso, onde se encontram as propostas de ações e compromissos que a CPT irá assumir ou reafirmar, a partir das discussões feitas durante o evento.

O documento reforça a importância da preservação dos biomas e a real possibilidade de se conviver em harmonia com eles. Da mesma forma, reafirma, também, a necessidade de permanecer na luta para garantir a permanência nos territórios tradicionais, vivendo em fraternidade com a mãe terra. As experiências apresentadas nas quatro tendas temáticas dos biomas (amazônico, caatinga, cerrado e pantanal, mata atlântica e pampa) mostraram claramente essa possibilidade.

Essas boas novas de convivência harmônica contrastam, ainda, com o clamor do povo diante do poder estarrecedor dos grandes projetos em nome do "desenvolvimento".

Os participantes do Congresso da CPT aproveitaram a oportunidade para denunciar a impunidade de crimes cometidos contra os pequenos trabalhadores e trabalhadoras rurais e contra as comunidades tradicionais.


No dia da realização da Celebração dos Mártires, durante o Congresso, na última quarta-feira, os delegados e delegadas presentes receberam a informação de que "Taradão", acusado de ser o mandante do assassinato de irmã Dorothy, foi solto após ser condenado a 30 anos de prisão e permanecer preso apenas 18 dias.


Foi colocado, também, no documento, o processo de criminalização que se instaurou contra movimentos sociais, através dos meios de comunicação, do Judiciário e do Congresso.
Durante todo o congresso foi feita uma cobertura pela página eletrônica da CPT. No espaço estão disponíveis entrevistas em áudio, registros de momentos em vídeos, texto e fotografias.



* com informações da CPT e foto de João Zinclar

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