Família mantém tradição, gera trabalho e renda no semiárido mineiro.


Publicado há 6 anos, 9 meses


Por Silvania Mendes - comunicadora popular ASA/STR Porteirinha

São João do Paraíso é famoso pela tradição na fabricação de doces de marmelo. Essa receita tem gerado renda para muitas famílias da região. Uma dessas famílias é a de Seu José Alves da Rocha e de Dona Ana Gomes Ferreira. Eles são casados há 20 anos e moram na Comunidade Taboquinha que fica a 9 km da sede do município. Juntos, eles tem 5 filhos: Thelma, Gilberto, Edvaldo, Josiane e Braulino, que foi acolhido ainda pequeno pela família.

Desde sempre, Seu José foi muito esforçado. Quando ele era mais novo, ajudava a sustentar a família trabalhando com o carro de boi,vendendo lenha e madeira na cidade. Porém, nesse tempo, o pai estava muito doente fazendo tratamento em São Paulo e o jovem José precisou vender o carro de boi, único meio de ganhar dinheiro para ir até São Paulo ajudar o pai. Dona Ana também não teve uma vida fácil. Assim como Seu José, ela também precisou ir para São Paulo trabalhar. Como já se conheciam em São João do Paraíso, quando se reencontraram em São Paulo, logo iniciaram um namoro e acabaram se casando.



Com muita dificuldade eles compraram o sítio na comunidade Taboquinha, onde criaram a família e moram até hoje. Como eles já sabiam fazer doce de marmelo, um aprendizado que herdaram dos mais velhos, eles foram colhendo o fruto, fazendo o doce e comercializando na feira livre. Como o doce tinha muita aceitação e estava ficando cada vez mais difícil para a família fazer tudo manual, eles resolveram fazer um financiamento para comprar uma máquina despolpadora que ajuda a família no processo de separação do caroço do marmelo e retirada da polpa para fazer o doce. Mesmo aumentando a produção e as vendas, foi difícil pagar a máquina, mas aí, eles começaram a processar os frutos dos vizinhos. Como o doce é de boa qualidade, com trabalho e esforço, eles aumentaram ainda mais a produção e tiveram bons resultados.


Há pouco tempo, a família conquistou, através do Programa Um Milhão de Cisternas da Articulação do Semiárido Brasileiro - ASA - uma cisterna de placas que armazena 16.000 litros de água da chuva. Essa é uma importante alternativa para convivência com o semiárido, pois assim, dá para armazenar a água que foi coletada do telhado para beber e cozinhar.

Seu José foi um dos fundadores da associação dos Pequenos Produtores Rurais de Taboquinha e sempre fez gosto de colaborar com todos. Dona Ana também gosta muito de participar das lutas populares. Ela já fez parte da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Paraíso e participa do Coletivo das Mulheres Organizadas do Norte de Minas. Dona Ana conta que não se pode esmorecer e nem cruzar os braços diante das dificuldades da vida e que é preciso trabalhar com amor e dedicação. Em visita ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha ela conheceu experiências de aproveitamento de polpas de frutas da região. Foi aí que despertou nela o pensamento de aproveitar as frutas que eram desperdiçadas no quintal de casa. Eles começaram a usar a mesma máquina que despolpava o marmelo para despolpar as frutas. Assim, a família passou a comercializar também polpas de frutas na cidade. Além disso, Dona Ana muito esforçada, passou a fazer biscoitos e bolos para vender e melhorar a renda.


O casal é tão unido que depois de muitos anos resolveram voltar aos estudos. Eles estudaram juntos durante 5 anos e concluíram o ensino médio sem nenhuma falta, tendo que ir todos os dias estudar na cidade. Depois de tanta luta, com trabalho, dedicação, preservação da natureza e com o tradicional doce, eles aprenderam a conviver com a região. Eles falam que gostam tanto de morar na roça que nem pensam em morar na cidade, pois é assim que são felizes e foi na Taboquinha que encontraram a tranquilidade para viverem em alegria e paz junto com a família. 

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