Minas Gerais realiza I Conferência Estadual de ATER


Publicado há 8 anos, 2 meses


Por Myrlene Pereira
Comunicadora Popular
Cáritas Dioesana de Araçuaí/ASAMinas

Agricultura Familiar, Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural Sustentável são temas da I Conferência de ATER iniciada hoje.
Teve início na manhã de hoje (13), a I Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) de Minas Gerais. Para dar início aos trabalhos e as boas vindas aos participantes, compuseram a mesa Dom Mauro Morelli (pres. CONSEA), Diniz Pinheiro (pres. ALMG), Elmiro Nascimento (Sec. De Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Alcides Guedes Filho (Rep. Do MDA-MG), Carlos Calazans (Sup. Reg. INCRA MG), Vilson Luis da Silva (pres. FETAEMG), Elza Ilza de Souza (Dir. de Comunicação da FETRAF) e o João Alberto Paixão Lages (Pres. Da CEASA-MG). Estiveram presentes também delegados representantes de organismos governamentais e da sociedade civil.
Com o tema “ATER para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária e o Desenvolvimento Rural Sustentável do Brasil Rural”, a conferência visa consolidar uma ATER para a diversidade da agricultura familiar. Segundo Elmiro Nascimento “Existem investimentos, mas precisamos saber se a diversidade está sendo alcançada. Para isso é preciso o envolvimento do rural na ATER e o aprimoramento da mesma.”
Nesta linha, foi possível perceber a participação de representantes de agricultores e da sociedade civil organizada, como da Articulação no Semiárido (ASA), da Federação Quilombola e da Articulação Mineira de Agroecologia (AMA). A intenção é jogar luz a outras práticas de assistência técnica que já possuem êxito, como a prestada pelos técnicos do Programa Uma Terra e Duas Águas da ASA, afim de que sejam reconhecidas e valorizadas, em favor da valorização do saber popular.
Dom Mauro Moreli rendeu críticas ao atual modelo de ATER ao afirmar que apenas 25 comissões é muito pouco para atender ao território mineiro. Ainda segundo Dom Mauro, é preciso “casar” assistência técnica com programas de extensão universitária, para aprimorar e expandir a ATER no Brasil.
“Crédito por si só não contribui, uma vez que muitas vezes não é ressarcido por falta de acompanhamento técnico. Nós não queremos um Brasil ate 2014, quando teremos uma Copa do Mundo. Nós queremos um Brasil para toda a vida.” Afirmou o presidente da FETAEMG, Vilson da Silva, rendendo também críticas ao sistema de ATER e ao governo ao lembrar do desconforto da sociedade frente aos investimentos da copa do mundo em detrimento a programas indispensáveis para a população.
No restante da manhã os representantes votaram o regimento interno da conferência e se credenciaram para a participação no momento de grupos que acontecerá amanhã, divididos pelos eixos “ATER e Desenvolvimento Rural Sustentável”, ATER para a Diversidade da Agricultura Familiar e Redução das Desigualdades”, “ATER e Políticas Públicas”, “Gestão e financiamento, demanda e oferta dos serviços de ATER” e “Metodologia e Abordagens de Extensão Rural” que elegeram 15 diretrizes que serão apresentadas na Conferência Nacional para conduzir o Plano Nacional de ATER.
No período da tarde, os participantes ainda contaram com palestras de Carlos Eduardo Mazzeto (FAEM-UFMG) e Everton Augusto Paiva (MDA-SAF), que falaram sobre “Agricultura Familiar, Sustentabilidade e ATER”, lembrando papéis e desafios deste trabalho.
Amanhã (14) acontecerá a votação das diretrizes que orientarão a execução do plano nacional de ATER. A expectativa é que a agricultura familiar que já representa 10% do PIB nacional e 40% do PIB Agrícola seja mais valorizada, bem como a participação popular em sua construção. E que as necessidades e potencialidades do homem do campo sejam vislumbradas neste instrumento, tornando o campo cada vez mais digno para se viver.

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