Movimentos Populares Realizam II Assembléia dos Vales


Publicado há 9 anos, 1 mês

Por Myrlene Pereira - Comunicadora Popular - Cáritas Diocesana de Araçuaí / ASA-Minas

Foi pensando em um ideal de sociedade justa e igualitária, construída através da tomada de consciência política e social e promover a maior participação na discussão de como chegar até ela que os movimentos sociais dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri promoveram nos dias 26 e 27 de março a II Assembléia Popular dos Vales, na cidade de Araçuaí, onde o tema principal foi “Formação, Mobilização Popular e as Organizações Sociais”.



O público alvo foram profissionais que trabalham diretamente com as classes mais oprimidas pela educação depositária que temos hoje em nosso país e militantes dos movimentos sociais, a fim de criar estratégias para trabalhar tecnologias e a organicidade das ações para formação do pensamento crítico das bases. O evento contou com assessoria de Ranulfo Peloso, colaborador do CEPIS (Cenatro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae) e grande expoente nas discussões sobre educação contextualizada no Brasil atualmente. Edvânia Lopes Sodré, auxiliar administrativo do CAV, que se considera leiga no assunto, diz que “a linguagem informal do palestrante, fez com que os participantes entendessem e assimilassem mais fácil a metodologia, sem dificuldade”.


Para difundir esse tipo de metodologia de educação popular - através da formação das bases, tendo em vista as especificidades de cada região e cada público no processo de construção do planejamento metodológico educacional, buscando o fortalecimento das habilidades já existentes e mais aproveitáveis para o dia-a-dia do educando - que se encaminhou neste encontro a realização de outras Assembléias Populares nas micro-regiões do Vale do Jequitinhonha, a serem agendadas durante o ano para mapear as possibilidades de trabalho mais propícias e estimular cada vez mais adeptos da educação contextualizada.



Novas Formas de se Educar Para uma Nova Forma de Ver o Mundo


Há algum tempo tem-se pensado uma nova forma de educação voltada para o pensamento crítico e desenvolvimento regional na região dos Vales. A contrariedade a educação alienadora e a credibilidade de que o que está imposto não é verdade absoluta e que novas possibilidades podem ser criadas é o que dá animo aos movimentos sociais para levantar a bandeira da educação contextualizada.


Existem diversas correntes que trabalham este tipo de metodologia, se adequando a demanda de cada realidade. As EFA’s - Escolas Família Agrícola – são um exemplo de estratégia para isso. No entanto, o que se tem percebido nos últimos tempos é um alto índice êxodo rural pelos formados por essas escolas. Isso dificulta a luta e defesa dos princípios formados nesse espaço. Isso evidencia a necessidade de acirramento dessa luta. Outro exemplo é a Escola Itinerante do MST que, além de temas ligados a agroecologia, produção e vivência rural, estão sempre em busca de uma forma de se ensinar a como militar na constante luta pelo acesso a terra. O resultado disso é o despontar de grandes lideres, principalmente jovens, dentro desse movimento, que visam o desenvolvimento igualitário da sociedade.


Segundo Valdecir Viana, coordenador do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) da Articulação do Semiárido através do Centro de Agricultura Vicente Nica (CAV), “pode parecer muita prentesão tentar reverte a educação atual, o processo não é fácil e é muito lento, mas o fato é que se iniciou. Se conseguirmos promover esse debate dentro de nós mesmos e dos espaços que participamos cada vez mais a educação será libertadora e promotora da transformação social”.

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