Os Frutos do Semiárido que Brotam na Seca


Publicado há 8 anos, 1 mês


Agricultores baianos visitas experiências do P1+2 em Minas Gerais
Por Myrlene Pereira* e Rodrigo de Castro**

Os anos de experiência das instituições que trabalham as metodologias de convivência com o semiárido têm mostrado que a troca de experiência entre os agricultores é o principal segredo para o desenvolvimento da agricultura familiar.
Com o propósito de fortalecer essa dinâmica de troca de conhecimento, a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3, o Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia - CEDASB e o Centro Comunitário da Paróquia de São Pedro trouxeram 45 agricultores do semiárido baiano em intercâmbio para conhecerem como famílias mineiras têm produzido através das tecnologias sociais promovidas pela ASA.
Durante os dias 18 e 19 de outubro a Cáritas Diocesana de Araçuaí, Unidade Gestora Territorial da ASA pela região do Médio e Alto Vale do Jequitinhonha, recepcionou conduziu os agricultores baianos por experiências de produção com cisternas calçadão no município de Itinga e os apresentou as tecnologias de captação de água da chuva barraginha, barragem de trincheira e cisterna de enxurrada que a ASA passou a implementar neste ano.
Uma dos agricultores visitados foi Carina da comunidade São José, no município de Coronel Murta. Carina mostrou aos agricultores visitantes como tem feito para, em plena seca, produzir sua horta que segundo ela, já se tornou fonte de renda e segurança alimentar para sua família. Como num intercâmbio o fundamental é a troca de conhecimento, Carina também recebeu instruções de como combater algumas pragas que tem atacado seu quintal. “É sempre importante trocar informações com os companheiros. Eu mostrei como tenho feito para economizar água e produzir e eles me deram uma receita para melhorar minha produção. Todo mundo sai ganhando.”
Outra experiência visitada pelos agricultores e agricultoras foi o banco de sementes no município de Itinga. Eles conheceram o processo de conservação e armazenagem dos 120 tipos de sementes crioulas guardadas no local e escutaram atentamente de Valteir o histórico de luta das seis comunidades envolvidas na organização, entre elas a comunidade Caldeirão, aonde se localiza o banco. Segundo Valteir, o resgate das sementes crioulas é uma forma de amor para com a natureza, pois elas são adaptadas a região, produzem por mais tempo e melhor que aquelas adquiridas no mercado, sem precisar de agrotóxicos.
Troca de saberes – O diálogo aberto e a dinâmica de pergunta dos agricultores visitantes e resposta da família anfitriã recebeu pleno incentivo dos técnicos das entidades que acompanharam o intercâmbio, constituindo o fio condutor da metodologia das visitas às comunidades mineiras. Para Suzane Ladeia, coordenadora-técnica do P1+2 na Cáritas Regional Nordeste 3, “o intercambio é o momento da troca de experiências e construção coletiva do conhecimento entre agricultores e agricultoras do nosso semiárido, dentro da realidade de local de cada um. É a troca de saberes não só de produção, mas também de cultura, religiosidade, politica, do resgate da autonomia, da auto estima”.
 Auto estima que se revela de forma clara no depoimento de dona Jeci, do município de Bom Jesus da Serra-BA: “essa visita que a gente está fazendo ao pessoal aqui de Minas é como um sonho se tornando realidade, vendo como tem gente aqui que consegue produzir bem na sua terra apesar da seca. Esse sonho tá tão bom que eu nem estou querendo acordar”, brinca.
O intercâmbio interestadual de agricultores é uma atividade integrante do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS).

Comunicadores Populares da ASA, pela Cáritas Diocesana de Araçuaí* e CEDASB**

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