Os Povos do Vale Gritam: Queremos a Vida em Primeiro Lugar


Publicado há 8 anos, 2 meses

Por Myrlene Pereira - comunicadora popular ASA/Cáritas Araçuaí

Queremos um estado a serviço da nação. Vida em 1º lugar!”

Água, terra, direitos humanos, organização social e uma outra nação. Estes são os clamores das comunidades do Vale do Jequitinhonha, durante a reunião de organização do 18º Grito dos Excluídos, realizada no dia 18 de agosto, na Diocese de Araçuaí.
            Associações comunitárias, representantes de grupos de mulheres, quilombolas, indígenas, agricultores familiares, pastorais sociais, Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), Escola Família Agrícola (EFA) e ONG’s de 13 municípios do Vale do Jequitinhonha se reunira para refletir sobre a sociedade que temos e que queremos atualmente. Durante a análise do modelo capitalista em que estamos inseridos, os participantes o classificaram como concentrador e explorador, uma vez que se baseia numa economia para exportação, a serviço do grande capital, que culmina em altas taxas de juros e dívidas externa e intera.
O assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Edivaldo Ferreira Lopes, refletiu junto ao grupo sobre o processo de criação no imaginário popular do Vale da pobreza, que tem por trás um projeto que previa a instalação de mineradoras, hidrelétricas, a utilização da terra para plantio de eucalipto e outras monoculturas e principalmente a disposição de mão-de-obra para outras regiões do país. O grupo chegou a conclusão que este modelo definitivamente não é representativo da vontade do povo.
Baseando-se numa análise indígena, proposta pela indigenista Geralda Chaves Soares, conhecida como Geralda dos Índios, os participantes da organização do Grito no Vale refletiram o que seria uma sociedade ideal, contemplativa das demandas da região, a partir da metodologia da árvore do Bem Viver, que prega a harmonia entre o homem e a natureza. O modelo do Bem Viver comunga com o lema deste 18º Grito dos Excluídos, onde o povo grita pela “vida e 1º lugar”.
A conclusão a que se chega é que a solução para o retorno ao bem viver é a aposta nas comunidades tradicionais. Para isso, inicialmente foi criada uma comissão, composta pela CPT, a pastoral do migrante, Cáritas, representantes das comunidades quilombolas e das comunidades indígenas, da EFA e das CEB’s, para fomentar o grito nas comunidades. A idéia é promover a formação social e a organização comunitária nos diversos município,s culminando com um ato simbólico. A próxima reunião da comissão será no dia 1º de setembro, quando o ato simbólico será elaborado e encaminhado.


O Grito dos Excluídos
O Grito dos Excluídos não é um evento isolado, ele vai para além dos protestos do dia 07 de setembro. Faz parte de um processo de mobilização e lutas pelos direitos, bem como de construções coletivas, que buscam chamar à atenção para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.
As atividades são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos – e se estendem por todo o território nacional.
Em 2012, o Grito dos Excluídos traz como tema: “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”.  Nas Dioceses de Araçuaí e Almenara o Grito será contínuo, através da formação da população local, afim de uma maior mobilização popular.

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