Pesquisadores internacionais conhecem agroecologia de Porteirinha


Publicado há 9 anos, 1 mês

Helen Borborema, comunicadora popular ASA / STR Porteirinha
Pesquisadores internacionais do Nepal e da Índia, junto com outros pesquisadores dos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, vieram conhecer os trabalhos de agroecologia e manejo da biodiversidade do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha, no Semiárido mineiro. Integrantes do Projeto de Manejo Comunitário de Biodiversidade, coordenado pela Universidade da Holanda, eles vieram acompanhados de agentes da Embrapa de Pernambuco, que já conheciam as atividades região de Porteirinha.

O Projeto de Manejo Comunitário de Biodiversidade é realizado na Índia, Nepal, Etiópia e Brasil, sendo neste último realizado nos municípios de Cunha, no Distrito Federal, Mulungú, do Ceará, Renascer, do Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, no município de Porteirinha.

Além da reunião na sede da entidade para conversas e apresentações dos projetos, foram realizadas visitas nas propriedades rurais de agricultores familiares. Na propriedade do agricultor Geraldo Gomes, da comunidade Touro, foi visitado o manejo agroecológico e o banco de sementes crioulas. Já na comunidade Tamboril, além das atividades de campo, os pesquisadores tiveram a oportunidade de conhecer trabalhos ligados ao associativismo e beneficiamento da mandioca, através da Fábrica Comunitária de Farinha.

Os pesquisadores estiveram na região nos dias 08 e 09 deste mês. Um dos objetivos de pesquisa é descobrir a relação da agrobiodiversidade e uso dos recursos naturais para empoderamento das comunidades e qualidade de vida das famílias.

O pesquisador Abishkar Subrdi, doutorando, botânico e a pesquisadora Rachana Devkota, mestranda e especialista em agroeconomia, ainda participaram de um momento de conversa, com auxilio de tradutores, onde partilharam curiosidades e particularidades de seu povo e cultura.
Troca de Experiências

Abishkar Subrdi mostrou muitas riquezas da cultura de seu povo no Nepal. Segundo ele, lá existem muitas comunidades isoladas que não tiveram ainda contato com o mundo de mercado capitalista e permanecem com sua cultura preservada.

O pesquisador explicou uma interessante metodologia para preservação da cultura. Na sua comunidade, as sementes têm uma importância muito grande. Muitas casas de sementes são preservadas como antigamente, em potes de barros. Para não entrar insetos, eles usam de plantas medicinais para preservação das sementes.

As crianças e os idosos tem um bonito trabalho para registro das variedades de sementes, pois "os mais velhos tem conhecimento, mas não sabem escrever, os mais novos, sabem escrever e não têm o conhecimento", afirma Subrdi. Para cada comunidade tem uma criança escritora.

Nessa localidade, o teatro é também um importante meio de comunicação. Em todos os locais públicos, principalmente nas feiras, eles "usam o teatro para mostrar o drama, o conhecimento e a realidade deles, não é como filme que tem ficção", diz o pesquisador.

Para Elton Mendes, coordenador geral do Sindicato, essa foi uma experiência muito enriquecedora. "Tanto para nós que aprendemos muito, quanto para eles que saíram bastante satisfeitos", complementa.

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