Rede de comunicadores da ASA Minas discute estratégia para mobilização social


Publicado há 9 anos, 7 meses


* Marcela Veiga e Helen Borborema

Sob o clima do alto da Serra dos Gerais, na Área de Experimentação de Práticas Agroecológicas, no município de Riacho dos Machados, aconteceu o Encontro Estadual de Comunicação Popular do Semiárido Mineiro.

Reuniram-se nos dias 20 e 21, cerca de 25 comunicadores populares das regiões do Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas para discutir sobre a estratégia de comunicação popular da Articulação no Semiárido (ASA) para os processos de formação e mobilização social para convivência com a região.

Também foi um dos objetivos do encontro o fortalecimento da Rede de Comunicadores Populares do Semiárido Mineiro. Segundo Lívia Bacelete, comunicadora popular da ASA Minas, pela Cáritas Regional MG, o encontro “foi um momento de ver o resultado dos trabalhos com a Rede de Comunicadores. As pessoas já trouxeram as coisas que elas estão desenvolvendo, trabalhos com vídeos, com rádio...” Para Lívia, essa caminhada da ASA de 10 anos, na verdade é um momento onde estamos colhendo alguns frutos e ao mesmo tempo percebendo o tanto que a gente tem pra caminhar.

No encontro, foi exibido o vídeo “Levante sua Voz” do Coletivo de Comunicação Intervozes. O audiovisual aborda o direito à comunicação. Foi feita também uma análise de conjuntura sobre as informações impostas pela grande mídia, bem como as injustiças sociais, econômicas e ambientais.

De forma viva e dinâmica, foi feito um resgate da história da ASA e da estratégia de comunicação popular dentro da articulação, principalmente em Minas Gerais. O resgate histórico foi feito ano a ano, com símbolos e tarjetas no chão, que ao contar os acontecimentos do respectivo ano, as pessoas ali presentes interagiam e se viam na história, que foi partilhada e construída por todos os presentes.

No segundo dia, na mística de abertura, foi ressaltado o importante momento histórico que estamos vivendo com as eleições presidenciáveis. Por um lado, apesar dos desafios, tem-se a possibilidade de continuidade de programas sociais e de algumas políticas públicas para convivência com o semiárido conquistadas pelas organizações da sociedade civil. E, de outro lado, o retrocesso marcado principalmente pela possibilidade da volta ao poder de um representante das oligarquias e dos setores mais conservadores da sociedade.

O Encontro foi marcado também por trabalhos em grupos, nos quais os participantes tiveram a oportunidade de refletir e trocar experiências sobre o que está sendo construído pela Rede de Comunicadores Populares nos territórios microrregionais e qual a demanda existente.

Ao final, foram feitas propostas da contribuição da comunicação popular para o fortalecimento do processo de mobilização para convivência com o Semiárido. O Encontro foi encerrado com um almoço sertanejo preparado no fogão de lenha de forma especial com ingredientes da agricultura familiar camponesa e culinária da região.

Para Jefferson Rodrigues, da Rádio Cultura, município de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, o encontro foi muito produtivo. Ele conta que é muito interessante encontrar novos comunicadores que já conhecia de outros encontros e comunicadores novos. “É uma troca de experiências muito construtiva”, comentou acrescentando que tudo que aprende ele transmite na rádio de seu município.

Já para Lucimara Borges da Silva, de Varzelândia, a caminhada da comunicação da ASA Minas serviu para ampliar seu entendimento com relação à importância da sistematização e divulgação das experiências. Segundo ela, o fortalecimento da rede de comunicação pode trazer muitos benefícios à sociedade, principalmente, para os jovens.

Lucimara conta que atualmente a juventude muitas vezes não tem conhecimento do que está acontecendo, pois passam muito tempo assistindo televisão, que na maioria das vezes transmite conhecimento errado. Para ela, a comunicação popular pode trazer os jovens para a defesa dos direitos dos povos do Semiárido.

O encontro foi uma realização da ASA MInas, por meio da Equipe de Comunicação, com apoio do Programa Uma Terra e Duas Águas e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha. A Área de Experimentação de Boas Práticas Agroelógicas que sediou o encontro é da Associação Casa de Ervas Barranco de Esperança e Vida (Acebev), entidade que também faz parte da ASA.

* Comunicadoras populares da ASA, UGT Cáritas Diocesana de Araçuaí e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha

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