SOMANDO FORÇAS POR JUSTIÇA E TERRA - A LUTA CONTRA IMPUNIDADE EM FELISBURGO


Publicado há 7 anos



Geovane Rocha - Comunicador Popular da Cáritas Diocesana de Almenara, Jequitinhonha/MG
Priscila Souza - Comunicadora Popular da Cáritas MG e da ASA-MG

Nestas últimas semanas pudemos acompanhar as noticias e a luta pelo julgamento do Massacre de Felisburgo, exigindo a condenação do fazendeiro Adriano Chafik por ter matado cinco trabalhadores rurais sem terra, baleando outros 17 (inclusive crianças) e incendiado casas e a escola do Assentamento “Terra Prometida” em Felisburgo/MG no Vale do Jequitinhonha. O julgamento estava marcado para o dia 15 de maio, mas foi adiado por manobras da defesa de Chafik, com isso está fazendo 9 anos em que o assassino e réu confesso está solto.

O fim da impunidade, da violência no campo e uma reforma agrária que realize a distribuição das terras para todos/as que querem trabalhar e produzir alimentos, são pautas que unem os/as lutadores/as do povo e movimentos sociais. E por isso o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, MST, e as famílias vítimas de Adriano não estão sozinhas nessa luta, e quanto mais tempo se arrasta para a realização desta sentença, mais parceiros se juntam a causa. 

Jorge  no "Monumento Cinco Mártires" - Terra Prometida
Jorge Rodrigues Pereira, sobrevivente do Massacre de Felisburgo e atualmente membro da Coordenação Regional “Rosinha Maxakali” do MST e presidente da Cáritas Diocesana de Almenara, conta que a Cáritas do Baixo Jequitinhonha contribuiu não só no trabalho de base para mobilização das famílias, mas para todo acompanhamento e planejamento, incluindo o mapeamento da área. Ele ressalta que a Cáritas do Baixo Jequitinhonha, bem como a Regional, tem cumprido um importante papel de apoio nas ações relacionadas ao julgamento do assassino e mandante do Massacre de Felisburgo. 

A Cáritas Diocesana de Almenara acompanha estes trabalhadores e trabalhadoras desde o começo desta luta em 2002. Usando a solidariedade pela vida, a Cáritas tem atuado no Baixo Jequitinhonha através do apoio e de lutas feitas com o povo nesta micro-região desde sua fundação, a 30 anos. O direito a vida e a dignidade é uma luta que se passa pelo acesso a terra, a Reforma Agrária e a manutenção do/a camponês/a no meio rural.

Decanor Nunes dos Santos, que é Pedagogo da Terra, agente Cáritas no Baixo Jequitinhonha e coordenador estadual da Articulação no Semiárido Mineiro (ASA Minas), pôde acompanhar o processo de ocupação da área que hoje é o Assentamento Terra Prometida. Ele relata que o início do Acampamento está ligado ao processo de formação e aos projetos da Cáritas, sendo portanto fruto do processo que iniciou com um trabalho com a base e com outras organizações parceiras, resultando em toda mobilização por terra, por justiça, por comunicação, por cidadania e por esperança.

“A luta ‘pela terra e na terra’ aqui na região do Baixo Jequitinhonha tem, eu diria que, um processo embrionário com o trabalho de formação das comunidades e a Cáritas aparece como umas das organizações que contribuíram muito para fazer este debate da reforma agrária. A Cáritas tem um processo importante a registrar no debate da presença do MST, pois ela tem feito uma luta junto com os outros movimentos de luta pela terra, o sindical e grupos minimamente organizados nas comunidades, onde estamos sempre presentes e enviando contribuições no aspecto da formação e também com os projetos que ajudam as pessoas a lutarem pela terra e resistirem nela”. Complementou Decanor.

Felisburgo é uma região com uma concentração de terras nas mãos de poucos latifundiários e vem percebendo que são os/as pequenos/as agricultores/as que abastecem as feiras do município. Assim, a Cáritas, que é membro da Articulação no Semiárido desde sua organização em Minas Gerias, se soma a luta pelo julgamento do Massacre de Felisburgo por entender que a reforma agrária é vital para garantir acesso a água, a produção de alimentos e assim a soberania do país.

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