Trabalho em equipe de pais, mães e professoras/es muda ambiente social

Escola Quilombola da Comunidade de Alegre, no município de Januária/MG, é exemplo de educação contextualizada e convivência com o semiárido


Escola Quilombola da Comunidade de Alegre, no município de Januária/MG, é exemplo de educação contextualizada e convivência com o semiárido


Publicado há 2 meses, 3 semanas

Distante 18 km da área urbana de Januária, a Escola Estadual Antônio Corrêa e Silva, localizada na comunidade quilombola de Alegre, é exemplo de educação contextualizada. Inicialmente, possuía apenas classes do primeiro ao quarto ano, mas hoje, já é referência na região pelo ensino de qualidade aos alunos de todas as séries, do fundamental ao médio. A conscientização de trabalhar a cultura da comunidade remanescente quilombola e pesqueira se deu em 2003, com a entrada do diretor Odair Nunes de Almeida, que trouxe novas perspectivas de ensino.

Uma vez por ano, professores/as e funcionários/as param suas atividades para irem às casas de todos/as os/as estudantes para conhecer a realidade de cada um/uma. De acordo com o diretor Odair, esse exercício auxilia na parceria entre pais, mães e professores/as para a formação dos alunos e das alunas, “Boa parte dos servidores são da região e se declaram quilombolas e possuem algum vínculo com a nossa comunidade. Essa troca de saberes com os pais, é de extrema importância. Privamos fazer essa contextualização de educação no campo e educação quilombola, então possuímos diversas atividades e áreas na escola onde é feito esse contexto, sendo que muitas dessas atividades envolvem os pais de alguma forma”.

 A estudante Clarisse Figueiredo da Silva está no terceiro ano do ensino médio e já entende a importância do estudo sobre a sua comunidade. “Gosto muito de estudar aqui, por que temos muitas atividades legais, como a feira do conhecimento e outros projetos em que os professores explicam sobre a região, como era antigamente.”

Nas dependências da escola há também uma área de sistema integrado de produção de alimentos, com criação de galinhas de postura, criatório de peixes e sistema hidropônico, viveiro de mudas, minhocário, composteira, reaproveitamento de água das duchas para irrigação do pomar, coleta de lixo qualificado, além da área de parque infantil e quadra poliesportiva. “Todos esses espaços são usados pelos professores, pelo menos uma vez por semana, para passar o conteúdo de forma dinâmica” acrescenta o diretor.

Ao lado do prédio da escola, está o memorial “Casa de Zé Pequeno”, feita de adobe cru, réplica das antigas moradias da comunidade, feita pelos alunos de educação integral juntamente com os pais e a professora de artes. Em seu interior, estão expostos objetos de barro que remetem às raízes da cultura quilombola, “os recursos usados foram de projetos de políticas públicas e só foram suficientes
por termos dois ajudantes de serviços gerais, logo não gastamos com mão de obra. Temos muitas dificuldades como recursos e as paralisações que dificultam a continuidade do trabalho, mas sempre tentamos superar esses obstáculos”, informa o diretor.

A comunicação não é deixada de lado. Através de um blog e de uma página no Facebook, alunos/as e professores/as registram suas experiências diárias com fotos e vídeos. Entre os eventos anuais estão feiras e visitas técnicas ao campo

 

 


Postado por: Indinayara Gouveia
Editado por: Indinayara Gouveia

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